terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A rua São José naquela madrugada era cousa p'ra gênio da pintura. A fileira de portas fechadas, trios e duplas de portas coloridas, as mesmas portas do comércio de todo dia, cada uma calada e reticente. Os sobrados que as portas guardavam formavam uma enorme garganta de histórias a céu aberto e cobrindo a curva sem fim, as luzes, muitas luzes, paralelas e compridas faziam as vezes de céu, faziam as vezes de ares, faziam o mundo parecer maravilhoso, mesmo na noite mais triste.
Eu, que vinha caminhando só, sob a chuva, seguindo pelo tapete de paralelepípedos, escuros, molhados, sem saber o que pensar, não podia mais que dançar ao som de um piano que não tocou.

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