Deitada sobre o ombro do pai, ela, a criança revela no olhar o desejo de chupar a chupeta e regalar-se no afago. De chofre espevita-se como desejo de cair do colo e fala como pode do cão que passa. O desejo é o cão. Abre a roda o desejo dançando no bico do carcará, o desejo pega-pega, mata-mata e come-come. O desejo quer possuir, quer banhar devagar, brincando assim, o desejo estica e puxa o chiclete na mão da criança. Desejo volta para a boca.
Desejo que te quer aparecer, o desejo parece você. Desejo de correr os dedos nas teclas e desenhar você. Desejo que move passos, marca o tempo da minha tormenta, fermento na massa do bolo que assa. Desejo que fala sozinho. Anda sozinho. Dança sozinho. Desejo vê chegar e sente o cheiro. Toma nota de palavras como pode.
Na ida quase me passou despercebido aquele enorme representante da espécie esperança. Esperança robusta, aquela verde. Na volta tocava uma banda que marchei, militando minha saudade, sorrindo de desejo. Desejo de amanhã deseja agora mesmo. Desejo instrumento de cordas e percussão, chichicadum no coração. Golpes de desejo multiplicam e rodopiam o eixo, emudecem o texto que fala como pode. Desejo a terra que suga o sangue. Portal aberto é o desejo. É você que veio.
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