Estou olhando atentamente as letras à minha frente. Procuro uma forma de dispor as palavras para contar os dias que passo, que ando, que erijo e deixo para trás. Letras que amontoadas em fonemas falem disso que me escapa e só me escapa.
Dia atrás, ainda sem entender o princípio ativo das minhas angústias tanto quanto da força que me brota um sorriso na face - este sorriso resignado dos perdedores que antes ganham açoites de força mental – chorei, chorei baixinho escondida na viagem de uma noite. Porém, é hoje onde acordo sorrindo, bradando meu still.
A viagem do dia que fui e cheguei de ônibus foi um desastre. Saltei no próximo ponto, depois que a chave caiu, quase caí eu na curva, esbarrei em pessoas com minha mochila. Mas isso tudo acontece de vez em quando e não teria sido tudo tão flagrante se eu não estivesse tão incomodada com aquele homem feio, com aquelas mãozinhas gordas de dedinhos de criança boiando nos gestos, ele com aqueles dentes horrendos mordendo o ar, aqueles cílios de mocinha. Tinha de pegar justamente o mesmo ônibus que eu. Paúra dele. Eu soube esquivar-me.
Ou seja, ando desviada. Mais do que minhas loucuras gastronômicas de dias sábado ou domingo, é minha necessidade de fome a minha droga. A despeito de qualquer filtro de cigarro e preocupações tão adultas, é no primeiro ônibus que vou. Vou receber amigos queridos na casa minha vou passar a noite acordada e concentrada em tantos nomes colados na história. Queria ouvir uma música, qual seria? A música do vento no ouvido, forte e branca me diz ‘sobe, sobe...’ vá, voe longe, na vida, na morte, no amor, no que quiser, pense pense.
Tantos textos quis escrever: na mente as frases vinham magnéticas até os olhos, até a boca, se crês, mas não às pontas dos dedos, pois estes, só podiam agora com as cordas, uma vez que superado o flerte com os pincéis sabe-se lá até quando. Tanta temperança, tanto vermelho e roxo, tanta subida dos morros uivantes dessa cidade, com seus sinos, seus mensageiros do vento, seus tapetes e a promessa da minha paixão silenciosa, preciosa como um cálido segredo de menina, o mais puro sonho e a mais tênue segurança de estar vivo.
Eu posso acabar; foi aqui que não parei, foi o ponto que pulei. Nas noites outras, quem se cala sou eu, com as outras pessoas. Inevitável, elas nos vêem e nos vêem departed, um do outro.
Há quase um mês, é minha jogada. Who’s the tough Guy? Who is it? I am the tough guy. Quero me enroscar em sorrisos, em pensamentos suculentos, sustentar-me leve, levar-me da neve, ascender, esquecer e novamente sorrir. Lavar a boca da saudade que me cobre de olhar ao longe. Da recaída que hoje já me foi, sobrou apenas esta spruch:
Guten Morgen, Sonnenschein...
Nenhum comentário:
Postar um comentário