segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Série Cartas - Carta para mim

Hoje o tempo me foi rebelde. Falou-me sobre estar e faltar. Hoje o tempo me foi um presente que se desiste de dar.

A mim, piloto da nave que passageiro de tempo(s)-espaço(s), sobraram nada além de lágrimas secas. É tão forte a morte enquanto se vive.

Sou quando ando rastro de minúsculos grânulos a se desprenderem do meu corpo. Não posso mais fingir de catá-los à medida que se libertam. Evito sequer olhá-los, sorriso amarelado na boca de quem sabe que se perdeu. Olhos, narinas, garganta, secos todos dentro da nuvem que paira em partículas cintilantes.

Subo na ponta dos pés para depositar um segredo nos ouvidos. Proximidade sinto, distância sei. Flanêur do recôndito.

A pólvora queima produzindo uma onda de deflagração subsônica.

Materiais voláteis.

Na dinastia Han, na China alquimistas procuravam pelo elixir da longa vida e descobriram a pólvora.

Sine qua non

Há aqui menos a oportunidade de concordância que o impasse radical.

Inconciliabilidade

Válvula de gás propano

Autonomia caudal

Mas não ter pé nem cabeça é muito fácil.

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