Caneta na mão, mais uma vez na mão tão indecisa, balança a caneta de tanta idéia na mão enfim cascateia palavras uma atrás da outra, com sentido, com pressa. Queria escrever algo interessante, algo lindo eu queria escrever. Vasculho nos dias um depois do outro sinto minha vida cada acontecimento script, trechos de películas rodando na esteira da imaginação. Eu de chapéu preto, kinda poet tonite. A devassa, boêmia, estive no bordel, fui pela diva, havia mais artistas, na noite blue, mais uma, assim inferninho com luz negra, velas e papel de pão para desenho. Que venha a cachaça e a boa cerveja o brinde regar e que me saiam as palavras em forma de poesia do que não se quer mais falar. Até o limite da dor é lá que vou. Quiçá lá estou. Nua no frio, frio de morrer. Cut the rope de um dia aberto ao dourado do dia esfumaçado. Cigarro de filtro vermelho eu velha sozinha e grande. Assim tão potente como se a ponta da caneta fosse o próprio pensamento. E as mulheres sempre tão lindas. Gole no bico da garrafa, eu tomo queimando a goela adoro goela holding the bottle of cachaça com unhas pintadas bonito assim jabuticaba com anel no dedo. Goela fervendo notas. Canto. Canto os rins que doem. Aqui, rendez-vous. Me enamoro, um tributo às fantasias falecidas de morte matadas e não morridas. Como as olheiras na tumba, as ervas em pança de formiga, a língua em boca de espírito de porco. Será pior estar calado com tanto a dizer? Do calar talvez bom, talvez momento.
Mas que energia têm as grandes cidades, suas luzes de tela de cinema, degraus de decadência, tudo corroído, profundamente poético, profético. Como prosa in bloom, cabeça de guarda-chuva, como carta que não se manda, carta de falência.
Convidados somos a todo momento e convidamos aussi fantasmas a nos assombrar. O corpo não se esvazia dos desejos louros dos medos vindouros das certezas sepultadas. Páro logo esta canção e me ponho a chorar eu mesma e por que não? Folha cheia e frio feito o peito vazio: salve, salve, sanidade. Minha zelosa guardadora, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine, amém. Pois agora as palavras não me servem para tentar exprimir o que não é dizível, as palavras são minha volta no que falta em palavras que não posso mais pronunciar. Sorriso achatando os lábios esticados para cima das bochechas a boca sempre tensa, bicos de todos os tipos querendo falar. Fechando não sei o quanto já estive realmente tão aberta, uma ou duas vezes... assim ouvindo um escarrar francês... ah! E fiz minha viagem sine qua non. Como ela, a diva, musa toujours merveilleuse faz pose!
Bom, Jesus te ama e eu também. Eu escrevi porque não cantei. Porém escrevi como cantasse, pois a dor é a mesma. Se é que te arriscas a crer nesta cortesã que lhe fala arreganhada dos mais sinceros brinquedos de passar. Há em guerra retirada estratégica, há em amor túmulos de cada flor roxa coração do cão de estimação. A pressa é a esperança que a gente espera. Cousa douda, loica.
Poxa, essa escritura canta!
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